Thursday, 6 October 2011


viva a metrópole e todos os seus pequenos prazeres.
em breve será altura de rumar a norte e aos seus grandes prazeres.
até já.


Sunday, 18 September 2011

Entre nós existe distância, palmo prolongado que perdura no tempo que há de vir. Coisas que se perderam, sentidos que se esvaziam de forma e conteúdo. Vazio entre almas que se (re)conhecem como companheiras. Enlaces de amizade que perdem (um pouco de) incondicionalidade.

Wednesday, 14 September 2011

As palavras não importam, não realmente, não hoje. O que interessa é quebrar o silêncio, deixar uma marca, por mais pequena, esbatida e irrelevante que seja. Mensagem de mim para mim, dizendo-me, relembrando-me que sou, que existo, que permaneço na vida intacta nas minhas convicções. Que dou aos outros, mas não me anulo, que sorrio e abraço, mas não dou a outra face (não por sistema, não por dá cá aquela palha, não porque sim). É bom olhar para dentro e gostar do que se vê (ainda que mais, ou menos amachucado, ainda que com mais, ou menos cicatrizes). É bom saber estar connosco próprios, guardar os limites, e fechar para balanço de vez em quando.

Thursday, 1 September 2011


Ontem fez oito dias.
Hoje chove lá fora.
Costuma dizer-se que não há coincidências, e eu acredito que não haja mesmo. De qualquer forma, quando as nuvens, o céu, o sol escondido, decidem imitar o nosso estado de espírito, é dificil não ficar tentado a cair num lado mais espiritual, menos racional do nosso cérebro. Mas neste momento, tudo o que sirva para aliviar um pouco a mágoa, nem que seja um placebo do consciente, é bem-vindo e ajuda a lembrar apenas os bons momentos, o carinho e a amizade, os olhos meigos, e a vontade de nunca parar, de continuar sempre as suas caminhadas, de passear pelo meio das oliveiras que o viram crescer. É bom lembrá-lo, mesmo com lágrimas. É sempre bom lembrá-lo e vê-lo em fotos antigas, e pensar que agora a sua alma pode descansar em paz, sem necessitar de bengalas ou quejandos. Fica bem, meu querido.



(Apesar de todos estes últimos escritos carregados de tristeza, estou melhor. Melhor que há uma semana, e a melhorar com cada dia que passa. Obrigado, meus amigos e amigas, pelo carinho que me têm dado. Vocês têm sido o meu melhor remédio.)


Thursday, 4 August 2011


Ao longo da minha vida tem havido uma série de momentos, comigo e sem mim, que tento evitar que caia naquele abismo do nosso cérebro onde muitas das memórias se deixam ir até ao desaparecimento eterno. Recordo-as uma e outra vez, com a ajuda dos que lá estiveram, reavivando a mente dos contornos de cada momento, cada palavra dita, cada imagem que passou pela retina. Tento sempre, sem desistir, pois são momentos que constituíram em granda parte aquilo que sou neste exacto momento em que escrevo estas palavras. Tudo isto sou seu, é o mantra a utilizar. Até porque, e estamos a chegar lá, em grande parte desses instantâneos do quotidiano, não houve polaroides a acompanhar os momentos, ficando as imagens apenas naquilo que é conhecido pela massa cinzenta. Daí que, com a facilidade de nos dias de hoje qualquer coisa ser capaz de tirar fotografias, acreditem que é um enorme alegria poder registar um momento que, ao mesmo tempo que me fez recuar no tempo, fez-me acreditar que o futuro está já ali, à minha frente, que a distância não existe quando os corações batem em simultâneo, quando os olhares de muitos e muitos anos se cruzam mais uma vez, e de que efectivamente blood runs thicker than water. Haja muitos instantes assim.


Thursday, 28 July 2011

Estes dias têm vindo a ser uma confirmação de como a nossa vida, o nosso ser, é de uma fragilidade tão grande que nem sonhamos. De como de um dia para o outro, deixamos de ser capazes de ter a memória apurada até ao fim dos nossos dias, ou as pernas que até ontem nos permitiam percorrer quilómetros como se nada fosse. O tempo consegue ser bondoso, mas na maior parte dos casos, e por muito que lutemos contra, será impiedoso e deixará as suas marcas profundas, com quais temos que viver, dia sim dia sim, com um sorriso nos lábios e com lágrimas nos olhos, alegria e tristeza de mãos dadas, por nós e por aqueles que nos rodeiam. Não há muito para dizer, na realidade sem que não fique inundado por uma onda de dor e tristeza, premonitória do que ainda está para vir e que teremos, como um todo, que enfrentar. Apenas quero aqui deixar que já não tenho medo da morte, tenho sim medo de envelhecer. Assim. Desta forma. Ponto final.


Sunday, 17 July 2011

Boa sensação de pele arrepiada, respirando o som da sala e da estranha comunhão que as pessoas partilham quando saboreiam acordes e outras linguagens da alma. Uma batida que trepava pelos ombros acima, mãos a dentro e descia inquieta até aos pés que animados dançavam contidos no espaço entre a fila onde encontram morada e a fila que se seguia. Momento bom atrás de momento bom e depois a apoteose: uma sala cheia dando um novo sabor ao concerto juntando-lhe dança; e por fim - lá mesmo para o fim - um público que deixa os artistas irem porque sabe que merecem descansar, não porque não os quisessem continuar ao ouvir. Um pano que desce.


(Lura, 16 de Julho, CCB Fora de Si)